CARL B. PRATT |
Acho que muitíssimos de nós não estão jejuando no dia dejejum ou fazem com apatia.
Irmãos,
espero que tenham notado que quando o Presidente Hinckley se preparava para
anunciar o nome dos dois novos Apóstolos, ele falou sobre o jejum e a
oração para se conhecer a vontade de Deus.
O jejum sempre
foi uma prática corrente entre o povo de Deus. Em nossosdias, é um mandamento
dado pelo Senhor a todos os membros da Igreja. Além dos jejuns especiais que
fazemos ocasionalmente por motivos pessoais ou familiares, devemos jejuar no
primeiro domingo de cada mês. Foi-nos ensinado que há três
aspectos na observância adequada do dia dejejum: Em primeiro lugar,
abstemo-nos de alimentos e bebidas por duas refeições consecutivas ou, em
outras palavras, 24 horas; segundo, assistimos à reunião de jejum e
testemunho; terceiro, fazemos uma generosa oferta de jejum.
Para a
família Pratt, nossos jejuns regulares sempre se estenderam do almoço de sábado
ao almoço de domingo. Dessa forma, deixamos de fazer duas refeições: O
jantar de sábado e o desjejum de domingo. Embora não exista um padrão
único de jejum na Igreja, exceto a duração de 24 horas e a
abstinência de duas refeições, consideramos uma vantagem espiritual participar
da reunião de jejum e testemunho perto do final dojejum.
Para as
pessoas fisicamente capazes, jejuar é um mandamento. Ao falar de nosso jejum mensal,
o Presidente Joseph F. Smith ensinou: “O Senhor instituiu o jejum de
modo razoável e inteligente. (…) Aqueles que puderem são convidados a obedecer
(…); é um dever ao qual não podemos furtar-nos. (…) Trata-se de uma questão de
consciência, algo que as pessoas devem exercer com sabedoria e discrição. (…)
Quem estiver em condições deve jejuar. (…) Ninguém está isento; é um mandamento
para os santos, tanto idosos como jovens, de toda a Igreja”. (Gospel Doctrine, 5a ed., 1939,
p. 244)
Infelizmente,
irmãos, acho que muitíssimos de nós não estão jejuando nodia de jejum ou
fazem com apatia. Se negligenciarmos nosso dia de jejumou
simplesmente jejuarmos na manhã de domingo em vez de fazermos um jejum completo
de 24 horas, estaremos privando a nós mesmos e a nossa família das
preciosas experiências e bênçãos espirituais que podem resultar de um jejum verdadeiro.
Se tudo o
que fizermos for abster-nos de comida e bebida durante 24 horas e pagar nossa
oferta de jejum, estaremos perdendo uma oportunidade maravilhosa de
crescimento espiritual. Por outro lado, se tivermos um propósito especial nesse jejum,
ele terá muito mais significado. Talvez devamos reunir a família antes do
início do jejum para conversar sobre o que desejamos alcançar.
Podemos fazer isso na noite familiar da semana que antecede o domingo de jejum ou
numa breve conversa antes ou depois da oração familiar. Quando jejuamos com
propósito, temos algo no qual concentrar-nos além da fome.
O
propósito de nosso jejum pode ser eminentemente pessoal. Ele pode
ajudar-nos a vencer imperfeições pessoais e pecados. Pode também ajudar-nos a
vencer nossas fraquezas; ajudar-nos a fazer com que se tornem pontos fortes.
Pode ajudar-nos a tornar-nos mais humildes, menos orgulhosos, menos egoístas e
mais preocupados com as necessidades alheias. Pode ajudar-nos a ver com mais
clareza nossas próprias falhas e fraquezas, ajudando-nos a ser menos propensos
a criticar as pessoas. Nosso jejum pode ainda estar voltado para uma
dificuldade da família.
Um jejum familiar pode ajudar a aumentar o
amor e a estima entre os membros da família e reduzir as contendas no lar.
Podemos também jejuar como casal a fim de fortalecermos nossos laços
matrimoniais. Um propósito de nosso jejum como portadores do
sacerdócio pode ser a busca da orientação do Senhor em nossos chamados, como o
Presidente Hinckley demonstrou. Podemos ainda jejuar com nosso companheiro de
ensino familiar para saber como ajudar uma de nossas famílias.
Ao longo
das escrituras, o termo jejum costuma vir acompanhado de
oração. “Também vos dou um mandamento de que continueis em oração ejejum a
partir de agora.” Eis o conselho do Senhor. (D&C 88:76) Jejuar sem orar é
simplesmente passar fome por 24 horas. Porém, o jejum aliado à oração
aumenta nossa força espiritual.
Quando os
discípulos não conseguiram curar um menino possuído por um espírito mau,
perguntaram ao Salvador: “Por que não pudemos nós expulsá-lo?” Jesus respondeu:
“(…) Esta casta (…) não se expulsa senão pela oração e pelo jejum”.
(Mateus 17:19, 21)
Iniciemos
nossos jejuns com uma oração. Podemos fazê-lo ajoelhando-nos à mesa ao
terminarmos a refeição com a qual começaremos o jejum. Essa oração deve
ser algo natural—falamos com o Pai Celestial sobre o objetivo de nosso jejum e
solicitamos Sua ajuda para atingirmos nossas metas. Da mesma forma,
terminemos nossos jejuns com uma oração. Uma maneira adequada é ajoelhar-nos à mesa
antes de sentar-nos para a refeição que encerrará o jejum. Nesse momento,
agradecemos ao Senhor por Seu auxílio durante o jejum e pelo que
sentimos e aprendemos com essa experiência.
Além de
começarmos e terminarmos o jejum com uma oração, devemos buscar o
Senhor com freqüência em orações pessoais ao longo do jejum.
Não
devemos esperar que as crianças pequenas jejuem pelo período recomendado de
duas refeições. Todavia, ensinemos-lhes os princípios do jejum. Se nossos
jejuns forem discutidos e planejados em família, os filhos pequenos perceberão
que seus pais e irmãos mais velhos estão jejuando e compreenderão o propósito
do jejum. Eles devem participar das orações familiares no início e final
do jejum. Dessa forma, quando atingirem a idade adequada, estarão ansiosos
para jejuar com o restante da família. Em nossa família, fizemos isso,
incentivamos nossos filhos entre oito e doze anos de idade a jejuarem pelo
espaço de uma refeição. E quando completaram doze anos e receberam o Sacerdócio
Aarônico ou iniciaram o programa das Moças, os incentivamos a jejuar pelo
espaço de duas refeições completas.
Depois de
repreender a antiga Israel por não jejuar corretamente, o Senhor, por meio do
profeta Isaías, falou do jejum adequado usando uma bela linguagem
poética:
“Porventura
não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade,
que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces
todo o jugo?” (Isaías 58:6)
Se
jejuarmos e orarmos com o objetivo de arrepender-nos de nossos pecados e
sobrepujarmos fraquezas pessoais, seguramente estaremos procurando “[soltar] as
ligaduras da impiedade” em nossa vida. Se o propósito de nosso jejum for
a busca de maior eficácia para ensinar o evangelho e servir ao próximo em
nossos chamados da Igreja, por certo estaremos empenhados em “[desfazer] as
ataduras do jugo” das pessoas. Se estivermos jejuando e orando para receber
auxílio do Senhor em nosso trabalho missionário, certamente estaremos desejando
“[deixar] livres os oprimidos”.
Se a finalidade de nosso jejum for
aumentar nosso amor por nosso próximo e vencer nosso egoísmo, orgulho e apego
às coisas deste mundo, estaremos verdadeiramente tentando “[despedaçar] todo o
jugo”.
O Senhor
continuou a descrever o jejum adequado:
“Porventura
não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres
abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?”
(Isaías 58:7)
É
maravilhoso que, por meio de nossas ofertas de jejum, tenhamos hoje
condições de alimentar os famintos, abrigar os sem-teto e vestir o desnudos.
Se
jejuarmos da forma correta, o Senhor promete-nos:
“Então
romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua
justiça irá adiante de ti; (…) Então clamarás, e o Senhor te responderá;
gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. (…) E se abrires a tua alma ao faminto, e
fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão
será como o meio-dia.
E o
Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos. (…) E
serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam.”
(Isaías 58:8–11)
Oro para
que melhoremos nossos jejuns a fim de desfrutarmos as belas bênçãos que nos
foram prometidas. Testifico que, ao achegar-nos ao Senhor por meio do jejum e
da oração, Ele se achegará a nós. (Ver D&C 88:63.) Presto testemunho de que
Ele vive, nos ama e deseja aproximar-Se de nós. Em nome de Jesus Cristo. Amém.